Desafios Pedagógicos nos Novos Contextos de Formação

Desafios Pedagógicos nos Novos Contextos de Formação

A revolução digital na formação está em curso, altamente impulsionada pela pandemia. Também no Citeforma a tecnologia e a formação dos nossos profissionais constituem o pilar dos novos ambientes de aprendizagem. Aprende-se hoje, de forma ativa e visando o desenvolvimento de competências digitais.

Reunimos a opinião de alguns elementos do Citeforma, nesta caracterização da situação atual, o papel do formador e o futuro da formação.

Recolhemos a opinião de Ana Monteiro, uma das Técnicas de Formação que acompanha um conjunto de cursos de Qualificação, no sentido de perceber os “Desafios colocados ao planeamento e acompanhamento da formação”.

Procurámos saber que “Medidas tem o Citeforma vindo a tomar, no sentido de atualizar as competências dos seus formadores” junto de Alexandra Nazário, a Técnica do Citeforma que acompanhou alguns cursos de formação para formadores.

Luís Roque, Coordenador da área de Informática no Citeforma, que assumiu a formação dos nossos formadores nesta transição digital, fala sobre esta mudança e do que exige a função de formador, atualmente.

Por fim, apresentamos os resultados do Relatório de Competências Digitais feito por Nuno Correia, Técnico de Formação do Citeforma, aos formadores que colaboram com este Centro no sentido de aferir diferentes competências, designadamente: Envolvimento profissional; Recursos Digitais; Formação e Aprendizagem; Avaliação; Capacitação dos aprendentes; e Promoção da Competência Digital.

 

 

Desafios colocados ao planeamento e acompanhamento da formação

“O acompanhamento e desenvolvimento de processos formativos à distância lançou-nos uma série de desafios e evidenciou fatores que podemos considerar como críticos para a sua qualidade. A organização do curso, a sua logística e a informação aos formandos, as plataformas e os recursos digitais utilizados, os conteúdos educativos (e-conteúdos) e o seu design, o apoio e acompanhamento aos formandos e a avaliação dos resultados são alguns dos temas que nos desafiaram neste novo mundo da formação à distância.

Mas temos de potenciar ainda mais a inovação. E esse é o paradigma que temos de incutir no nosso universo formativo e nas nossas equipas de formadores. Temos de aperfeiçoar os modelos pois há ainda um padrão muito normalizado na exposição. Os novos espaços formativos e contextos de aprendizagem à distância continuam sem dúvida a ser o grande desafio na constituição de ofertas diversificadas, pois, no futuro, mais centrado à aquisição de competências, a importância dos estilos individuais de aprendizagem tomarão maior relevância”.

Por Ana Monteiro

 

 

Medidas que o Citeforma tem vindo a tomar no sentido de atualizar as competências dos seus formadores

“Portugal vive atualmente uma transformação digital e o Citeforma está empenhado em acompanhar essa transição. Neste sentido, o Citeforma deparou-se com enormes desafios da Formação a Distância (FaD) e evidenciou resultados de sucesso nestes novos contextos formativos.

Reconhecendo que a solidez da FaD depende da adequação das competências da equipa formativa, designadamente: a predisposição para a inovação; organização e design do curso; metodologias pedagógicas; conteúdos formativos (e-conteúdos) focados na navegabilidade, interatividade e diversidade; tutoria diferenciada e toda a orientação complementar necessária para o processo de aprendizagem do formando. Surge, assim, a necessidade premente de acompanhar e criar medidas para a evolução e atualização das competências digitais da nossa equipa formativa. Com efeito, o Citeforma tem vindo a realizar, internamente, diversas ações para que os formadores adquiram competências específicas associadas ao planeamento dos cursos, metodologias, métodos comunicacionais e avaliação, mas também na utilização de tecnologias (Plataformas) e na necessidade de assumir um papel dinamizador, tomando uma postura ativa para despoletar nos formandos motivação, vontade de adquirir novos conhecimentos, competências e de colaborar na construção de novos conhecimentos partilhados.

O Citeforma tem como meta a aprendizagem flexível e está a preparar a sua equipa para operar com alta qualidade pedagógica e didática neste novo paradigma formativo.

Por Alexandra Nazário

 

 

As exigências atuais da função de formador

“A evolução sempre crescente, por vezes exponencial, das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) nos últimos anos, é causadora de grandes impactos na nossa sociedade e por consequência, a formação não fica de fora desta realidade.

As transformações a que temos assistido nos últimos anos na forma como se aprende, levou a que o Citeforma em setembro de 2019, ainda antes da pandemia, apostasse na alteração do paradigma da sua formação, iniciando um projeto que apostava na formação dos seus formadores em ferramentas e metodologias de e-Learning. Embora em março de 2020 a pandemia tenha criado uma rutura no sistema de formação, o Citeforma soube rapidamente adaptar-se à nova realidade, fazendo agora ajustamentos que procuram criar uma continuidade com adaptações consolidadas.

As oportunidades que o e-Learning e as suas ferramentas trazem à formação profissional, perspetiva desde logo, entre outras vantagens, a possibilidade duma aprendizagem em rede, a disponibilização de recursos 24 x 7, o contributo para nivelar os conhecimentos dos formandos respondendo às expectativas dos mais avançados e não deixando para trás aqueles que têm mais dificuldades, a avaliação eletrónica em ambientes formativos, a desmaterialização de documentos, uma maior variedade de recursos a serem disponibilizados e uma organização de cursos mais estruturada.

A importância da didática e dos conteúdos é indiscutível para o bom desempenho de um formador. No entanto, face aos desafios constantes das profissões e em particular face aos desafios sociais do século XXI, ter um domínio didático duma qualquer área de conhecimento já não é suficiente, pois os formadores e as instituições ligadas à formação enfrentam atualmente muitos outros desafios.

É já comummente aceite na comunidade científica que estuda estes aspetos, que o ensino e formação do século XXI deve preparar alunos e formandos de forma diferente da do século XX. Nesse sentido o que exige a função de formador, atualmente, e, por consequência, a formação de formadores?

A implementação de metodologias de formação a distância revelou que embora a infraestrutura tecnológica seja um fator crítico de sucesso, o papel do formador é absolutamente essencial, tendo-se alterando à medida que os contextos da formação passaram a integrar esta componente. Sendo um ambiente muito específico e com características muito próprias, nem sempre acontece que um formador com excelentes desempenhos na formação convencional também os obtenha em ambientes de e-Learning, até porque as funções formativas neste novo contexto são múltiplas: planear, criar conteúdos, implementar, orientar, monitorizar e avaliar. São funções que facilmente poderiam ser distribuídas por uma equipa de formação, mas que normalmente são executadas pela mesma pessoa. Com tantas funções e responsabilidades em todo o processo formativo, o formador torna-se, neste contexto, mais decisivo para garantir a qualidade e o sucesso do ensino-aprendizagem e da própria formação. 

É pois, com a preocupação em mitigar todos estes desafios que o Citeforma está a apostar em formação interna e contínua dos seus formadores, proporcionando-lhes cursos tais como “Formação de UFCD à distância”, “Formação Digital em Rede”, “Ferramentas de Avaliação em Moodle”, entre outras, que duma forma prática mas também reflexiva, aborda todos estes aspetos, permitindo-lhes uma atualização de conhecimentos.

Em detalhe, a abordagem da utilização das tecnologias digitais, a pesquisa, exploração pedagógica e utilização de ferramentas digitais, a utilização das tecnologias digitais na avaliação das aprendizagens, a implementação de novos métodos e estratégias de formação, a colaboração utilizando as tecnologias e o apoio aos formandos na utilização das tecnologias, permitirá alterar a conceção da formação, as metodologias de trabalho e a conceção de metodologias de avaliação, possibilitando assim a preparação dos seus formadores com níveis mais elevados de Capacitação Digital, de forma a serem mais capazes de corresponderem às expetativas do século XXI.”

Por Luís Roque

 

Formadores - Relatório de Competências Digitais

“Com a retoma da atividade formativa presencial, independentemente da sua condição, os formadores terão necessariamente de adaptar as suas intervenções pedagógicas aos contextos multimodais que irão emergir. Neste sentido, e tendo em consideração a premissa anterior, o Citeforma pretende reforçar as competências técnicas e pedagógicas sua equipa formativa, de forma a capacitá-la para responder aos desafios que se avizinham.

Para o efeito, foi solicitado a colaboração de todos os formadores no preenchimento de um questionário – adaptado do Quadro Europeu de Competência Digital para Educadores (DigCompEdu) - de forma a poder recolher os elementos necessários para a construção de um plano de intervenção a aplicar, identificando, assim, as pessoas que devem ser especificamente convidadas para as diferentes soluções desenhadas.

O questionário foi enviado pela Direção para 141 formadores que colaboram, atualmente, com o Citeforma. Responderam ao mesmo 107 formadores, ou seja, 71,6%.

Os formadores com um vínculo mais consolidado com o Citeforma – idade entre os 41 e 50 anos e experiência profissional entre os 11 e os 20 anos – foram os que mais responderam ao questionário.

No que respeita à comunicação digital constata-se que maioritariamente os formadores utilizam os formatos mais simples de comunicação digital, designadamente o e-mail. As diferentes aplicações que existem ainda são instrumentos residuais neste âmbito.

A maioria dos formadores assumem que usam práticas digitais no seu trabalho, sustentando-se na tecnologia digital que existe, naquela que é disponibilizada pelo Centro, nas pesquisas que fazem e nas formações online que frequentam.

Existe uma relação com os formandos, no uso da tecnologia digital, razoável. É respondido pela maioria que os recursos digitais estão presentes na conceção de atividades pedagógicas, no planeamento e dinamização das mesmas e, por fim, na avaliação. É, igualmente, assumido pela maioria dos formadores, o recurso ao digital na interação/feedback que têm e/ou dão aos seus formandos.

As competências, recursos e tecnologia digitais são utilizados para potenciar e incrementar melhorias na aprendizagem dos formandos, para melhorar competências de formandos com maiores dificuldades, e para os alertar e dotar de sentido crítico em relação à informação que têm acesso.

Verificou-se que mais de dois terços dos formadores domina de forma razoável as Competências Digitais. Ainda assim e uma vez que os questionários não foram anónimos, será possível definir ações específicas à medida, para canalizar os interessados para áreas de maior fragilidade ou âmbitos que necessitam de maior reforço. Por último, será interessante convidar os elementos identificados com maiores competências digitais a disseminar as suas práticas."

Por Nuno Correia

22 setembro 2021

  • logo iefp
  • logo sitese
Este website usa cookies para melhorar a experiência do utilizador. A sua não aceitação pode resultar em dificuldade em visualizar/interagir com as páginas da Citeforma. Conhecer Política de Cookies Aceito
  • logo Plano de Recuperação e Resiliência
  • logo poise
  • logo poch
  • logo lisboa2020
  • logo portugal2020
  • logo gp min solid emprego seg social
  • logo uniao europeia