Out of Babel II

Out of Babel II

Retomo o final da parte I - Porque língua não é, nunca foi só língua. Língua é história, é cultura, é tradição, é fisiologia, é mudança, é negócio, é comunicação, é pressão. É Poder.

Entre esta frase, escrita no início de fevereiro e o dia de hoje, o mundo mudou numa cambalhota visceral que a todos nos surpreendeu. Portanto, os tempos já não são os mesmos, este texto não será o que estava planeado… Quando vos trouxe o mito de Babel não podia imaginar que, nos nossos dias, na nossa Europa (porque, convenhamos… esta dói-nos muito, mas tantos lugares do mundo estão em guerra), tal como aconteceu nessa mítica torre, um povo visse a sua «torre» destruída, tivesse que a abandonar e se visse obrigado a espalhar-se pelo mundo, condenado a falar diferentes línguas… Não quero de forma alguma instrumentalizar esta desgraça para vos passar uma mensagem, mas todos nos apercebemos, pelas reportagens junto dos refugiados ucranianos o quanto lhes é importante saberem comunicar noutra língua, neste caso, o quanto o Inglês lhes tem valido… Eu nunca tinha pensado nisto (porque nunca tinha precisado): no quanto, em situação de catástrofe, deslocação, fuga, pode ser tão importante saber comunicar noutra língua. Língua é ponte.

Pela dimensão da sua importância, a língua tem sido instrumentalizada como 'geostratégia socioeconómico-política'. Sabemos como o inglês se impôs com o crescimento e a proliferação geográfica do império britânico; sabemos a importância do espanhol, do português, do mandarim, do francês, do alemão. Sabemos como são importantes na era da globalização e como ajudam à penetração nos mercados internacionais.

O mandarim pode ser a língua mais falada, mas ser a língua mais falada não é o mesmo que ser a língua que mais se fala pelo mundo - julgo que o inglês será a língua com maior penetração geográfica. As outras línguas são também um trunfo na boca dos profissionais do século XXI, num tempo em que ir de um lado do mundo ao outro demora o tempo de clicar num link e que, por isso, todos podemos falar com todos. Não há volta a dar, é preciso saber falar mais do que uma língua ou não estaremos conectados com as competências que o nosso presente, o nosso futuro exigem.

Também no passado, falar outras línguas foi determinante - Fernando António Nogueira Pessoa, o nosso Fernando Pessoa, ao contrário de uma boa parte dos seus contemporâneos era um homem que, além de profundamente culto, era poliglota. Ainda em criança, aprendeu Francês com a mãe; mais tarde aprende Inglês e chega a aprender Alemão. Ao longo da sua vida académica, desenvolveu várias competências que, aliadas ao conhecimento das línguas, o tornaram num ótimo candidato a empregos com vencimentos bastante acima da média. Terá recusado todos. Pode fazê-lo porque soube rentabilizar os seus conhecimentos linguísticos. Pessoa queria tempo para escrever e conseguiu. Trabalhou para vários escritórios como correspondente comercial, cargo fundamental no quadro do comércio internacional. Falar várias línguas, caso raro à época, permitiu-lhe ter uma ocupação profissional à medida daquilo que queria. Naturalmente, interessa aqui refletir, no passado, mas também ainda hoje e sempre na incontornável skill de speaking. Se Fernando Pessoa era uma raridade no seu tempo, hoje, as suas competências linguísticas são obrigatórias em todos os sectores de atividade.

E se, sobretudo, no sector terciário esta é uma skill que se tornou mandatory, crítica, para a implementação e expansão dos negócios, também a nível pessoal esta é uma competência a desenvolver. Há muitas vantagens na aprendizagem de uma segunda língua – e neste âmbito, o Inglês é sem dúvida uma língua franca como uma das línguas mais faladas.

Deixo-vos algumas das vantagens, de acordo com vários estudos, de aprender uma língua estrangeira: melhora a concentração, aumenta a plasticidade mental, a capacidade de solucionar problemas, estimula a memória, melhora as habilidades sociais, facilita o acesso, a compreensão de outras culturas; no âmbito profissional, melhora, permite e promove a mobilidade e aumenta as vantagens dos trabalhadores no mercado de trabalho, sobretudo se tivermos em conta que as empresas operam em mercados globalizados, exigindo dos seus colaboradores competências linguísticas.

Mas… como aprender? Que oportunidades nos traz este mundo das novas tecnologias? E também que exigências? Todos os sites, todas as plataformas, todas as apps que existem, por muito úteis que sejam, não passam de ferramentas para um estudo autónomo, eventualmente de apoio à aprendizagem autodidática - uma ferramenta utilitária, de utilização de caráter urgente. Qualquer forma de aprendizagem (e-learning; b-learning; in-person/on-site) carecerá sempre da condução de um formador, de um orientador – alguém que nos diga o que aprender, como e onde aprender, alguém com quem possamos comunicar, que nos oiça, que não nos deixe desistir… De facto, não há fórmulas mágicas de aprender uma língua. Quando a nossa aprendizagem de uma língua estrangeira é realizada num setting de aprendizagem e não no habitat natural de uma língua (o nosso quotidiano, a nossa vivência social, comunitária, profissional, emocional, cultural) só há 3 coisas que resultam: trabalho, trabalho e um mediador (professor, formador).

Termino com uma curiosidade: existem 7.139 idiomas no mundo! Como?! Ah! Pois! Babel… confusão! Ainda bem que podemos aprender Inglês, Francês, Alemão, Espanhol, Mandarim! Fica o desafio!

Por Ana Barata Feio

Coordenadora de Formação  no Citeforma na área das Línguas

24 março 2022

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