O panorama do marketing digital está a atravessar uma das suas transformações mais profundas com a ascensão da Inteligência Artificial (IA) Generativa. Se durante décadas o objetivo central era figurar no topo dos "dez links azuis" do Google, hoje o desafio é outro: garantir que a sua marca é citada e recomendada por motores de resposta como o ChatGPT, o Claude, o Perplexity e as "AI Overviews" do Google.
O Estudo da SparkToro: A Inconstância como Regra
Para quem ainda tenta medir o sucesso em IA através de rankings fixos, um estudo divulgado em janeiro de 2026 pela SparkToro, liderado por Rand Fishkin, traz um alerta crucial: as recomendações de IA são altamente inconstantes.
A investigação revelou que as listas de marcas e produtos mudam quase sempre, mesmo quando o utilizador utiliza exatamente o mesmo prompt. De acordo com os dados:
- A probabilidade de obter a mesma lista de marcas em duas execuções seguidas é inferior a 1%.
- Repetir a mesma ordem de recomendações é ainda mais raro, ocorrendo em menos de 0,1% das vezes.
Isto acontece porque as IAs funcionam como motores probabilísticos. Por isso, o estudo sugere que as marcas abandonem a obsessão com a "posição #1" e foquem-se no percentual de visibilidade, ou seja, com que frequência a marca é mencionada num conjunto de múltiplos prompts sobre o mesmo tema.
A Ascensão do GEO (Generative Engine Optimization)
Neste cenário, surge o GEO (Generative Engine Optimization), a evolução natural do SEO tradicional. Enquanto o SEO procura cliques, o GEO foca-se em garantir que o conteúdo é selecionado, citado e sintetizado pelos modelos de linguagem (LLMs).
Estudos académicos indicam que a implementação de estratégias de GEO pode aumentar a visibilidade de uma marca em respostas de IA em até 40%. As táticas mais eficazes incluem:
1. Inclusão de estatísticas e dados verificáveis: Adicionar números e dados quantitativos aumenta significativamente a probabilidade de citação.
2. Citações de autoridade e fontes credíveis: Os modelos de IA privilegiam conteúdos que citam fontes de confiança e utilizam citações diretas de especialistas.
3. Dados Estruturados (Schema Markup): O uso de marcação técnica (como o Schema.org) funciona como um "tradutor" para a IA, ajudando-a a compreender o contexto de produtos, preços e avaliações.
4. O ficheiro "llms.txt": Uma nova proposta de padrão técnico que funciona como um guia simplificado para os crawlers de IA, indicando quais os conteúdos mais relevantes do site.
O Impacto no Consumidor Português
A realidade portuguesa reflete esta tendência global. Dados de 2026 indicam que 45% dos consumidores em Portugal já utilizam regularmente ferramentas de IA generativa no seu dia a dia. Surpreendentemente, 23,6% dos portugueses já começam as suas pesquisas diretamente em assistentes de IA, ultrapassando fontes tradicionais como fóruns ou influenciadores digitais.
Esta mudança de comportamento criou o chamado "momento zero da verdade" dentro da conversa com a IA, onde o consumidor já não escolhe entre links, mas sim entre as respostas sintetizadas pela máquina.
Conclusão: Adaptação ou Invisibilidade
A IA não veio substituir o SEO, mas sim complementá-lo. As marcas que ignorarem a forma como os algoritmos as percebem, correm o risco de se tornarem "fantasmas digitais". Para os profissionais de marketing e gestores de marcas, a mensagem é clara: o conteúdo deve ser de alta qualidade para os humanos, mas estruturalmente legível para as máquinas.
A visibilidade na era da IA constrói-se com credibilidade, autoridade temática e consistência de dados em todos os canais digitais. Só assim uma marca poderá garantir o seu lugar nas recomendações que hoje guiam as decisões de consumo.
Perante esta transformação acelerada, torna-se cada vez mais evidente a importância da formação contínua na área do Marketing, especialmente nas vertentes digitais e tecnológicas. Profissionais que dominem conceitos como SEO, GEO, análise de dados e comportamento do consumidor em ambientes de IA terão uma vantagem competitiva significativa num mercado em constante mutação.
Investir em formação especializada não só permite acompanhar estas mudanças, como também capacita as equipas para antecipar tendências, adaptar estratégias e maximizar a presença das marcas nos novos ecossistemas digitais orientados por inteligência artificial.
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26 fevereiro 2026
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